EDUCAÇÃO, BIOPOLÍTICA E INFÂNCIA: Algumas Proposições

EDUCATION, BIOPOLYTICS AND CHILDHOOD: Some Propositions

  • Késia D’Almeida
  • Lenir Nascimento da Silva
  • Luan Sávio

Resumo

Este artigo se insere no âmbito do trabalho desenvolvido cotidianamente em espaços de educação, nos quais diversas experiências e os diferentes modos de olhar, conforme propõe Deleuze, nos “desestabilizaram” pelas multiplicidades e pelo diferente, fazendo com que não busquemos estabelecer em nossas proposições a centralidade no idêntico. Os modos de vida da população são produzidos coletivamente nas relações sociais, em função do território, pelos meios de comunicação, produtos e bens consumidos, políticas públicas, aparelhos sociais entre outros que compõem uma complexa teia que captura a todos, à medida que se inclui os excluídos em modelos aceitáveis, consagrando a todos como participantes ativos do próprio controle, enquadrados na sociedade de plenos direito. Sob esse prisma, as relações estabelecidas com as famílias em referência ao cuidado e à educação das crianças são determinadas pela interface de dependência social dessa mesma família e por sua capacidade de produzir filhos produtivos no futuro. Tal atravessamento, não somente determina as relações socioestatais com as famílias, mas também produz as necessidades e diferenças de investimento nas etapas de educação. Neste emaranhado, a educação escolar tem função destacada, funcionando por um regime de interdições e prescrições de comportamentos em função do que se espera para o futuro docente. Contudo, as práticas escolares estão inscritas em movimentos históricos e como tais apontam para novos devires, colocando em análise os saberes, as concepções, as verdades, os juízos de valor, as teorias, o especialismo, o nosso próprio lugar de saber-poder.


Abstract


This work is part of the daily work carried out in spaces of education, in which diverse experiences and the different ways of looking, as proposed by Deleuze, have "destabilized" us by the multiplicities and by the different, making us not seek to establish in our propositions the centrality in the identical. The ways of life of the population are produced collectively in social relations, in function of territory, by the means of communication, products and goods consumed, public policies, social apparatuses among others that compose a complex web that captures all, as it is included the excluded in acceptable models, consecrating all as active participants of the own control, framed in the society of full right. In this perspective, the relations established with the families in relation to the care and education of the children are determined by the interface of social dependence of the same family and by their capacity to produce productive children in the future. Such a crossing not only determines the socio-state relations with the families, but also produces the needs and differences of investment in the stages of education. In this entanglement school, education has a prominent function, functioning by a regime of prohibitions and prescriptions of behaviors in function of what expected for the future teacher. However, school practices inscribed in historical movements and as such, they point to new ideas, analyzing knowledge, conceptions, truths, value judgments, theories, specialism, and our own place of knowing-power.

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Como Citar
D’ALMEIDA, Késia; SILVA, Lenir Nascimento da; SÁVIO, Luan. EDUCAÇÃO, BIOPOLÍTICA E INFÂNCIA: Algumas Proposições. Episteme Transversalis, [S.l.], v. 10, n. 1, abr. 2019. ISSN 2236-2649. Disponível em: <http://revista.ugb.edu.br/index.php/episteme/article/view/1293>. Acesso em: 19 jul. 2019.