A CONDIÇÃO DA MULHER MOÇAMBICANA E A POLIGAMIA COMO SISTEMA DE OPRESSÃO, EM BALADA DE AMOR AO VENTO, DE PAULINA CHIZIANE

Autores

  • Elisa Andrade Costa
  • Ana Carolina de Almeida Silva
  • Lavínia Maria Alves da Cunha
  • Pedro Henrique Martins da Silva

Resumo

A leitura do romance Balada de amor ao vento (1990), de Paulina Chiziane, evidencia que a poligamia é representada como um pilar de manutenção da desigualdade entre homens e mulheres na sociedade moçambicana. A partir da trajetória da protagonista Sarnau, observa-se como ela absorve e sofre as normas patriarcais, aceitando a poligamia como algo natural em nome do amor e dos costumes. A narrativa mostra que essa prática ultrapassa a dimensão cultural e se configura como um mecanismo de controle que fere a liberdade emocional, corporal e econômica das mulheres. Conselhos que reforçam a submissão, a normalização da infidelidade masculina, a exigência de silêncio diante da dor e metáforas que comparam a mulher a objetos de uso evidenciam o caráter violento e desumanizador desse sistema. Dialogando com estudos críticos sobre a condição feminina e a poligamia na literatura moçambicana, o artigo analisa como o romance denuncia a legitimação social da violência e a redução da mulher a propriedade reprodutiva, bem como o impacto psicológico dessa opressão. Conclui-se que Chiziane constrói, por meio da voz de Sarnau, uma intervenção literária que problematiza a naturalização da poligamia e reivindica a emancipação feminina.

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Publicado

2026-08-21

Como Citar

Andrade Costa, E., Carolina de Almeida Silva, A., Maria Alves da Cunha, L., & Henrique Martins da Silva, P. (2026). A CONDIÇÃO DA MULHER MOÇAMBICANA E A POLIGAMIA COMO SISTEMA DE OPRESSÃO, EM BALADA DE AMOR AO VENTO, DE PAULINA CHIZIANE. Simpósio De Práticas Pedagógicas Do UGB, 1(14). Recuperado de https://revista.ugb.edu.br/simposio/article/view/3661