RACISMO ESTRUTURAL NO CONTEXTO ONCOLÓGICO
Um recorte de pesquisa
Resumo
Este artigo analisa o impacto do racismo estrutural na vivência de mulheres negras em tratamento oncológico. O objetivo é compreender como esse fenômeno, consciente ou não, se manifesta e agrava seu sofrimento, visando subsidiar futuras políticas públicas. Trata-se de um recorte qualitativo e quantitativo da pesquisa "Resiliências e Resistências: um estudo com mulheres negras atendidas no Grupo da Vida", do Programa de Iniciação Científica (PIC/UGB). A metodologia baseou-se na análise de relatos espontâneos coletados em entrevistas semiestruturadas com pacientes do hospital FOA, em Volta Redonda. A interpretação dos dados fundamentou-se na Psicologia Social e na perspectiva crítica do racismo estrutural, considerando as interseccionalidades que atravessam o corpo e a subjetividade da mulher negra. Os resultados indicam que o racismo se manifesta concretamente no acesso desigual a serviços de saúde de qualidade e, simbolicamente, na percepção que essas mulheres têm de seu corpo, feminilidade e lugar social durante o adoecimento. Relatos de silenciamento, negligência e sofrimento psíquico intenso foram frequentes. Conclui-se que o racismo estrutural é um agravante fundamental no contexto do câncer, exigindo práticas de cuidado em saúde mental que reconheçam e enfrentem ativamente o preconceito e as desigualdades.